Estaleiros estimam crescimento de 50% em 2009

Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Construção Naval (Sinaval), talvez seja, hoje, o empresário mais otimista do país. Diz ele:

- Vamos fechar 2008 com 40 mil empregados diretos e carteira de encomendas de US$ 6 bilhões. Em dezembro de 2009, deveremos estar com 55 mil empregados diretos e encomendas firmes de US$ 9 bilhões, com aumento de 50% em relação a este ano – diz um entusiasmado Rocha.

Para mostrar que sua euforia se baseia em fatos e não em possibilidades, ele cita que a Transpetro está confirmando as duas fases de seu plano de encomendas, com 49 encomendas assinadas ou já em licitação; a Petrobras vai estimular armadores privados a encomendarem 19 navios e os alugarem a longo prazo à estatal; a Petrobras está confirmando encomendas de oito plataformas tipo FPSO, 14 unidades semisubmersíveis e 14 navios-sonda; há exportações e encomendas de armadores privados já contratadas, além das que possam surgir nos próximos meses. E nada menos de 124 barcos de apoio já começam a ser encomendados aos estaleiros.

Lembra ainda que cada emprego em estaleiro representa seis indiretos, o que elevará a área de influência para 300 mil pessoas. Afirma Rocha que o presidente Lula atuou diretamente em apoio ao setor, principalmente ao evitar que encomendas continuassem a gerar empregos no exterior; recentemente, o Tesouro destinou R$ 10 bilhões para fortalecer o Fundo de Marinha Mercante

NOVOS ESTALEIROS
A boa situação faz com que surjam novos empreendimentos e outros se expandam. Diz Ariovaldo Rocha que um projeto conjunto de chineses e coreanos implicará investimento de US$ 1,2 bilhões no Pará. Será um estaleiro do grupo Sino Pacific Shipbuilding. Esse estaleiro deverá produzir supernavios – de até 300 mil toneladas – e plataformas. Na Bahia, há projetos virando realidade, dos grupos Odebrecht e OAS. No Rio Grande do Sul, a W. Torre, após o sucesso do dique encomendado pela Petrobras está projetando mais dois diques de grande porte. Em Pernambuco, o estaleiro Atlântico Sul está investindo R$ 1,4 bilhão em sua própria construção, mas já conta com encomendas superiores a R$ 6 bilhões, sendo 15 unidades para a Transpetro, dois navios para a Nor-Oil e uma plataforma para a Petrobras.

TERMINAIS COM ÁREAS AMPLIADAS
A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) vai ampliar as áreas de operação dos dois terminais de contêineres – Libra e Multiterminais. Segundo o presidente da estatal federal, Jorge Mello, a decisão está prevista nos contratos de arrendamento e atenderá às duas partes, concessionários e CDRJ.

- O tamanho dos navios está aumentando e, assim, os terminais poderão atender à demanda do mercado. Por sua vez, a docas quer reequilibrar os contratos, ou seja, receber por serviços como transbordo e outras atividades, que hoje não eram remunerados para a estatal. Assim, os concessionários disporão de maior espaço enquanto a docas obterá mais recursos – explicou.
Em relação à movimentação de contêineres este ano, Mello lamenta que a meta de 400 mil TEUs – contêineres de 20 pés ou equivalentes – não será atingida no Porto do Rio, devendo ficar perto dessa marca. Quanto a Itaguaí, deverá se aproximar de 500 mil TEUs.

PROMAR ESTICA ALUGUEL
O estaleiro Promar virou STX Brasil Offshore e continua com bons dados: tem encomendas firmes de seis embarcações, a serem entregues até 2011, representando uma privilegiada carteira de US$ 600 milhões.

A empresa ocupa, em Niterói, área alugada ao estaleiro Maclaren e acaba de esticar o contrato. Assim, o aluguel, que venceria em 2012 – e sempre gera tensão na renovação – foi renovado até 2016, o que dá tranqüilidade à empresa. Lá atuam mil homens e o estaleiro pode fazer navios com até 105 metros de comprimento.

Além disso, o grupo pretende dispor de área própria em Barra do Furado, no Norte Fluminense. A licença ambiental já foi obtida e as obras devem começar em breve. O novo estaleiro terá condições de produzir navios de 150 metros de comprimento, ou seja, com 20 mil toneladas de porte bruto.

O Promar tem uma história especial. Na crise dos anos 90, quatro profissionais criaram, sem maiores pretensões, uma empresa de reparos navais, que começou a explorar, sob aluguel, um dique do estaleiro Mauá – estaleiro que estava prestes a fechar as portas. Os profissionais eram Jorge Ferraz, Ariovaldo Rocha – hoje presidente do Sindicato da Indústria Naval – Miro Arantes e Paulo Haddad. O negócio deu certo e, em seguida, a Promar se transferiu para a área do Maclaren, nas proximidades. Devido ao profissionalismo demonstrado, uma empresa – a CBO, do grupo Fischer – resolveu confiar-lhes a construção de algumas embarcações; os barcos de apoio foram entregues antes do prazo e com alta qualidade. Daí em diante, o Promar cresceu e chamou a atenção do grupo noruguês Aker, que comprou 51% das ações e manteve a direção. Mais tarde, a empresa passou ao controle da coreana STX.

À VENDA
Informa o Relatório Reservado que o empresário Nelson Tanure está negociando, por R$ 300 milhões, o estaleiro Sermetal – ex-IVI-Caju e ex-Ishibrás. Foi em razão de discordâncias sobre o preço de aluguel da área que o consórcio Rio Naval perdeu encomendas de nove navios, por US$ 900 milhões, da Transpetro. Com isso, cinco navios foram para o Atlântico Sul, em Pernambuco e quatro ficaram no Eisa, de German Eframovich.

O governador do Rio, Sergio Cabral, tem interesse em que a Sermetal volte a usar seu dique, onde foram construídos os maiores navios do país, de 300 mil toneladas, para elevar o potencial do Rio na disputa por encomendas. A idéia de se fazer estaleiros próximo ao porto de Itaguaí é boa, mas só trará soluções a médio e longo prazo e o dique do Sermetal é plena realidade.

ESTATAIS DOS DOIS LADOS
Há uma certa ansiedade no setor de apoio marítimo. É que a Petrobras fez a primeira das concorrências para alugar 24 dessas unidades, por longo prazo – em seguida, virão mais 120 unidades em disputa. E, além das empresas de sempre, surgiu a Brasil Supply, reivindicando alugar dez barcos para a estatal.

O problema é que os sócios da Brasil Supply são a particular Cotia Trading e a estatal Petrobras Distribuidora (BR). Como a Petrobras é a contratante desses barcos, a participação, entre os candidatos a obterem contratos, de uma empresa com capital da BR suscitou justas indagações.

TRABALHO DECENTE
Um importante evento foi realizado na última sexta-feira, no Rio. O seminário Indústria Naval-Trabalho Decente, que contou com apoio do Ministério do Trabalho, do Sindicato da Construção Naval (Sinaval) e Confederação Nacional dos Metalúrgicos, todos membros da Comissão Tripartite que estuda a questão. Com os países do Mercosul, foram também discutidas as relações do trabalho, pois há possibilidade de os estaleiros nacionais repassarem obras para países vizinhos.

Na solenidade de abertura, que contou com a presença do secretário de Trabalho do Rio, Ronald Azaro, muitos presentes se emocionaram quando metalúrgicos apresentaram, em cenas teatrais, o que se deve fazer para manter a segurança no árduo trabalho da construção naval. Foram mostradas as precauções adotadas para trabalho em espaço confinado e outras situações, como o caso em que um trabalhador com pressão alta não pode, em certo dia, executar determinada tarefa, ao menos enquanto sua pressão não abaixar.

Fonte: Net Marinha

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Nenhum Comentário

  1. Nelcy Oliveira Sampaio disse:
    Se realmente o Governado do Rio de Janeiro, Sr. Sergio Cabral se interessar em que a Sermetal volte a usar seu dique, já é uma esperança para que êle negocie com o Sr. Nelson tanure para colocar seus containers nos terrenos desocupados do nosso Grande Rio.
    Assim o estaleiro poderia voltar a ser igual, ou melhor que o antigo estaleiro ISHIKAWAJIMA DO BRASIL e todos desempregados categorizados voltariam a ter seus empregos garantido e o Rio teria um Grande Estaleiro. “Será sonho ou o nosso Governador terá possibilidade para tal?
    Agradecida pela oportunidade,
    Nelcy de Sampaio

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