
O imóvel, de 11 andares e construído na década de 50, passará por um ousado projeto de engenharia para abrigar escritórios de petroleiras que operam no Porto de Niterói e de empresas que prestam serviços ao setor offshore.
A virada na história do edifício, que chama atenção de quem chega a Niterói, começou há oito meses, quando as concessionárias que administram o Porto — Nitport e Nitshore — compraram o Moinho, que virou parte do plano de expansão portuária.
Entre as novidades que vão revolucionar a arquitetura do antigo moinho estão a instalação de elevadores panorâmicos e salas envidraçadas no lugar dos silos de farinha. Também será implantado um heliponto no terraço.
O diretor comercial da Nitshore, Wilson Coutinho, calcula um investimento de R$ 50 milhões no polo, cuja primeira etapa de obras começou há três meses e será concluída em março do ano que vem. Todo o projeto levará três anos para ficar pronto.
— O prédio ficará bem moderno. Ele vai ganhar um desenho mais leve e uma área envidraçada grande.
Mesmo os silos estão passando por uma análise de engenharia, para dar lugar a salas com vidros e elevadores panorâmicos. Todo o projeto vai valorizar o prédio e a entrada da cidade — adianta o diretor.
Pelas contas das duas arrendatárias, hoje são de 80 e 82 empresas satélites envolvidas com as atividades do porto — prestadores de serviços que vendem produtos como peças e acessórios para a perfuração de poços de petróleo. Todas poderão se instalar no prédio. Também serão transferidos para o edifício os escritórios das petroleiras e das próprias concessionárias.
Para abrir espaço para operações no porto, o atual prédio de escritórios será demolido, restando apenas a antiga estação ferroviária, que será restaurada.
Projeção de mais de dois mil empregos
A estimativa é de que o polo gere 600 empregos diretos e 1.800 indiretos.
— Vamos construir um condomínio de empresas offshore. Estamos solicitando à prefeitura o alvará e já temos seis clientes com áreas reservadas — afirma Coutinho.
A decisão pela aquisição do prédio do Moinho Atlântico, que pertencia à empresa J. Macêdo, dona da marca de farinha de trigo Dona Benta, foi uma consequência do crescimento das atividades do porto. Antes de as concessionárias assumirem os terminais, há três anos, o volume de atracações era de 18 a 20 por ano. No primeiro ano de concessão, esse número chegou a 600. E, apesar da retração este ano — que pouco atingiu os negócios no porto, segundo o diretor da Nitshore — o volume baterá a casa de 1.800 navios, podendo passar de duas mil atracações.
— Os contratos offshore são feitos anos antes e têm prazos para exploração. A crise não atingiu tanto a demanda — explica Coutinho.
O Porto de Niterói é hoje uma importante base de apoio às atividades das bacias de Campos e Santos. Um empresa que atua no présal já opera no local. E, de acordo com as projeções, o porto será a principal base de apoio do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. De olho no futuro, já está em estudo a ampliação do cais — de 480 metros — em mais 140 metros.
O aumento permitirá ao porto receber, simultaneamente, até 18 navios atracados de popa. A capacidade atual é de 12. Devido à necessidade de expansão, foi adquirida uma área em Guaxindiba, em São Gonçalo, que já funciona como suporte, o chamado Porto Seco.
O presidente da Firjan Leste-Fluminense compara a notícia sobre o Moinho com o anúncio da revitalização da zona portuária do Rio: — Vai gerar riqueza para a cidade porque o movimento do porto aumentará, e os escritórios vão provocar a revitalização da área, que se tornará atrativa para negócios.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, tem a mesma opinião: — Niterói reúne diversos estaleiros, sendo uma importante área de apoio offshore. Com toda certeza, receberá investimentos por conta da corrida para a exploração da área do pré-sal e também da implantação do Comperj.
De acordo com o prefeito, Jorge Roberto Silveira, o projeto casa com os planos da prefeitura de revitalizar todo o Centro.
— É significativo que em frente ao lugar que sofrerá essa transformação esteja subindo um edifício residencial que já é um sucesso de vendas. Revitalizar é dar vida de novo, ou seja, é colocar gente morando ali, trabalhando ali. A transformação do velho moinho sinaliza nessa direção — diz ele.
Região já teve seu auge
O Moinho Atlântico S/A foi construído na década de 50 a reboque da valorização da área iniciada com os projetos urbanísticos dos anos 20. O plano era que a iniciativa privada ocupasse a Avenida Feliciano Sodré com edifícios, atraindo investimentos.
Segundo a professora de História da UFF Ismênia Martins, hoje a região em nada lembra o esplendor que tinha na época. Nas primeiras décadas foram construídos o porto, que passou a operar com a importação de trigo para o Moinho, e a ferrovia. Na área havia a Praça Renascença, que não existe mais, e o Instituto de Fomento e Economia Agrícola (hoje prédio do TCE).

Fonte: O GLOBO Niteroí







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