Chefe de cozinha, Mario conseguiu emprego após ter trabalhado no PanO salto olímpico na carreira de Fabio pode se repetir para pelo menos 50 mil cariocas que deverão ser absorvidos pelas vagas criadas diretamente pelos Jogos de 2016, caso sejam realizados no Rio. Também concorrem Madri, Chicago e Tóquio. O anúncio da sede será feito pelo Comitê Olímpico Internacional na sexta-feira, mas o secretário especial da Copa 2014 e Olimpíadas 2016 na Prefeitura do Rio, Ruy Cézar, aposta no favoritismo carioca. A torcida já começou na cidade, que sonha com a oportunidade de ouro.
A estimativa de geração de emprego é conservadora, admite Ruy Cézar. Estudo encomendado pelo Ministério dos Esportes aponta a criação de 120 mil empregos indiretos anuais a partir deste ano até 2016 no País todo, e mais 130 mil a cada um dos 10 anos seguintes. Os cálculos, feitos pela Fundação Instituto de Administração de São Paulo, indicam a construção civil como setor campeão em investimento e geração de vagas.
No Rio, a reforma da Zona Portuária; projetos de transporte; construção de mais de 10 mil quartos de hotéis; vilas para atletas, árbitros e mídia; instalações e reformas de equipamentos esportivos vão exigir mão de obra. “As grandes empresas precisarão dos trainees para completar os seus quadros. As oportunidades vão surgir”, aconselha Fabio.
O Instituto Pereira Passos será encarregado de analisar detalhadamente o aquecimento do mercado de trabalho. Hoje, as estimativas são feitas a partir de números do Pan de 2007, que gerou diretamente 10 mil postos, dos quais 5 mil só para construir instalações e infraestrutura na Barra da Tijuca.
Mas nem só de engenheiros e operários é feita a oferta gerada pelos Jogos. Os setores de imóveis, serviços, comunicação e transportes também vão abrir vagas. No Pan, Mário Sérgio Pedro da Silva, 35 anos, não desperdiçou a chance e conseguiu sair do banco de reservas do mercado de trabalho.
Formado em Gastronomia, o morador de Campo Grande chegou a tentar a vida em Brasília, mas não se adaptou à cidade. Após um mês desempregado no Rio, aproveitou o momento em que hotéis e restaurantes contratavam para atender a demanda de turistas. “Este era um restaurante-bistrô francês menor e transformaram em restaurante maior, de comida asiática, quando o Rio estava cheio. Sempre quis trabalhar em hotel”, comemora. Contratado por três meses de experiência, ele se mantém hoje na posição de chef noturno do Restaurante Opium, do Hotel Ipanema Plaza.
Satisfeito com o emprego, mais estável do que restaurantes de rua, Mário já está de olho nas Olimpíadas. “Comecei em agosto a estudar inglês. Estou me preparando para os Jogos. Aqui tem muito gringo, e às vezes os clientes chamam o chef à mesa. É ruim depender que outros sejam intérpretes”, explicou.
Diretora de Marketing da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, Isabel Mattos acredita que as Olimpíadas vão garantir o recorde para o turismo do Rio, superando em muito os números do Pan. “Vai ser uma redenção para a cidade”, avalia, prevendo que a empresa precisará contratar pessoal para seus projetos de expansão.
A experiência de outras cidades mostra que suor e dedicação dos profissionais são recompensados. Em Pequim, China, a última sede dos Jogos, foram criados 430 mil empregos de 2004 a 2008, e a indústria ganhou 130 mil novos postos. No acumulado, houve geração de 1,8 milhão de vagas em todos os setores, sendo 370 mil só em 2008, ano dos Jogos. Em Barcelona, Espanha, foram criados 20.019 empregos permanentes. Lá, a construção civil abriu 33 mil vagas entre 1986 e 1992, ano dos Jogos. A hotelaria gerou 20 mil vagas.
Preparação profissional começa já.
Quem quiser largar na frente na briga por uma vaga nos Jogos Olímpicos deve começar a se preparar já. Esta é a dica de quem conseguiu se dar bem no Pan de 2007 no Rio e disputa um lugar no pódio do mercado de trabalho. Ainda dá tempo para fazer faculdade, estudar línguas estrangeiras ou se aperfeiçoar num idioma que já conheça.
Formada em Letras, Paula Esteves, 30 anos, trabalhou como produtora cultural, organizando as cerimônias de abertura e encerramento do Pan. Mesmo assim, precisou do inglês fluente para se comunicar com equipes, fornecedores, dançarinos e coreógrafos que não falavam português.
Hoje, ela trabalha com revisão de textos traduzidos, fez curso de tradução regular e, agora que tem a experiência dos Jogos Pan-Americanos no currículo, acredita que poderá conseguir colocação ainda melhor nas Olimpíadas. Ela aconselha quem quer uma vaga, seja na área que for, a estudar inglês. “Dá tempo de correr atrás. O inglês é fundamental para se colocar no mercado. Consegui muitas oportunidades por ter trabalhado no Pan”, lembra.
As possibilidades para tradutores vão de guia a intérprete e tradutor simultâneo, além de traduções de textos de informativos, por exemplo. Mas conhecer uma língua — que pode ser espanhol, alemão, francês ou qualquer outra falada num dos mais de 200 países que participam dos Jogos — faz a diferença ao procurar emprego.
O Ministério do Turismo já tem projeto para capacitar, inclusive com aulas de idiomas, 58 mil pessoas para trabalharem com turismo receptivo, como taxistas, guias e recepcionistas de hotéis. Cursos de tradução já prevêem lançar módulos para os Jogos. “Serão necessárias traduções escritas e de interpretação”, diz a dona do curso DDB, Maria Luiza Brilhante.
Fonte: O DIA
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