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Setor hoteleiro recebe incentivo para Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas

Em parceria com o Ministério do Turismo (MTur), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, na tarde desta terça-feira (2/2), um programa para facilitar projetos de reforma e construção da rede hoteleira nas cidades que sediarão a Copa do Mundo em 2014. O Rio de Janeiro será um dos grandes beneficiados com a iniciativa, porque também será sede das Olimpíadas de 2016.

O diretor-superintendente do Sebrae/RJ, Sergio Malta, esteve na reunião representando o presidente do Sebrae Nacional, Paulo Okamotto. Segundo o diretor da área de Inclusão Social do BNDES, Elvio Gaspar, o setor não estava preparado para receber a grande demanda dos eventos esportivos mundiais.

- Por isso fomos procurados para desenvolver um projeto para que o trade possa melhorar sua infraestrutura, prevendo prazos, amortização e facilidades. Buscamos, então, induzir este público a utilizar a eficiência energética e a sustentabilidade.

O diretor explicou a diferença entre as duas categorias.

- Na eficiência energética, há a preocupação com a redução do desperdício de eletricidade. No caso das reformas ou construções de hotéis voltadas para a sustentabilidade, há a necessidade de metodologias construtivas que dêem destino aos resíduos, que se preocupem com a coleta seletiva interna, com o conforto acústico e ambiental, além da própria eficiência energética.

Gaspar enfatizou que esta nova proposta traz muitas facilidades que se assemelham às dadas a grandes obras como hidrelétricas e ferrovias, porque o BNDES entende da necessidade e da pressa em serem realizadas as obras.

- Aumentamos os prazos de 6 a 8 anos para até 10 anos, nas reformas que envolvam eficiência energética. Os hotéis sustentáveis terão até 12 anos. Já os novos hotéis a serem construídos terão até 18 anos. São praticamente os maiores prazos do BNDES. É a contribuição efetiva para a renovação e modernização do parque hoteleiro no Brasil.

O diretor informou, ainda, que a iniciativa é uma das maiores participações do BNDES no que respeita à participação nos financiamentos: 80%.

- Quanto às taxas de juros, são as segundas menores praticadas pelo banco no mercado. E as taxas de risco de crédito ao BNDES ou do agente financeiro estarão menores e fixas temporariamente em 4,5%. E, por fim, o piso de solicitação de projetos será de R$ 10 milhões. Mas, nas cidades sede, será de R$ 3,5 milhões – completou.

O diretor de Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, disse que há diversos projetos em andamento, frutos de parcerias com o BNDES e o MTur.

- O papel do Inmetro neste programa é mais amplo. Estabeleceremos os requisitos em um ranking, em parceria com a Eletrobrás – com o qual será concedido o Selo Procel ao hotel que atingir o nível A – afirmou.

Além disso, no programa de gestão da sustentabilidade em hotéis, os requisitos foram uma parceria entre o Inmetro e o MTur, pois avaliam as três questões de sustentabilidade: a ambiental, a social – que vê, entre outras, a relação do hotel com os empregados e o entorno do estabelecimento – e a econômico-financeira. Geralmente, a certificação que atesta ou avalia serviços ou produtos é feita por entidades acreditadas pelo Inmetro. Mas quanto à gestão da sustentabilidade e a verificação do uso da eficiência energética, o Inmetro será o organismo certificador.

O ministro do Turismo, Luiz Carlos Barretto, ressaltou que o setor hoteleiro é formado por pequenas empresas:

- O Sebrae, representado pelo superintendente Sergio Malta, tem uma grande importância, principalmente porque o Rio é a porta de entrada de milhares de estrangeiros no Brasil e ocupa um lugar de destaque no setor.

De acordo com Barretto, a parceria do MTur com o BNDES é um dos pilares para a preparação do setor nos eventos.

- O papel do governo é induzir o setor a ter mecanismos de desenvolvimento, auxiliando os empresários, sem jamais substituí-los, para que eles aumentem a oferta, o volume e a qualidade dos destinos. Trabalharemos até 2014, no intuito de auxiliar as várias portas de entrada de turista no entorno das cidades sede.

O ministro lembrou das imensas potencialidades no Brasil.

- Todos têm de levar em conta o mercado consumidor interno que já existe e no mínimo 20 milhões de novos turistas brasileiros. Apesar da crise, aumentamos em quase 15% os embarques domésticos. O programa pode representar mais de R$ 2 bilhões para a hotelaria, sem falar nos demais projetos do governo federal de infraestrutura (turística, aeroportuária, rodoviária), de mobilidade, de arenas esportivas e de qualificação de profissionais, como cursos de inglês e espanhol, entre outras ações. Os governos federal, estaduais e municipais mobilizam e aceleram o desenvolvimento desses projetos. E temos de aproveitar duas vantagens: o fato de o calendário dos eventos ser fixo (sempre ocorrem no meio do ano) e a estabilidade econômica brasileira. O país tem uma imagem positiva no exterior, com grande capacidade de atrair investimentos.

Barretto informou que as linhas tradicionais também terão vantagens.

- Mas é um avanço premiar um setor que se preocupa com a sustentabilidade e em deixar um legado não só para o turista, mas para os moradores das cidades beneficiadas.

O vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, revelou que serão programadas diversas reuniões com o setor para que sejam feitas críticas e sugestões. O Sebrae/RJ auxiliará na divulgação do projeto e na orientação dos empresários do setor. Além disso, a entidade estudará uma forma de adequar projetos de empresários hoteleiros antes de encaminhá-los ao BNDES.

Durante o encontro, também estiveram presentes representantes dos setores de turismo e hoteleiro, além de secretários e subsecretários de estado.

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